Antes de derreter sob um sol escaldante de 39°, mas com sensação térmica de 45°, me vi pensando na dificuldade dos brasileiros, sejam eles: trabalhadores assalariados, aqueles que estão fazendo bico ou os desempregados (na mesma condição que a minha), na busca de se manter no mercado de trabalho.
Como já comentei sou professor Categoria O, ou seja, professor contratado temporariamente pela secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Meu contrato foi aberto em 2015, com validade de 2 anos e prorrogado por mais um ano. Sendo assim, este ano o contrato teve término.
Não bastasse isto, meu contrato utiliza o número de minha Carteira de Trabalho, porém não sou celetista. Recolho normalmente o INSS, mas não tenho os direitos trabalhistas como FGTS, etc.
José Serra, o brilhante governador que instituiu o Categoria O em 2009, já se encontra devidamente aposentado pelo regime parlamentar, enquanto muitos professores se encontram na precariedade que "todos" os brasileiros irão experimentar com a flexibilização (nome pomposo) das leis trabalhistas.
Pelo visto minha cabeça não ferve somente pela temperatura externa do ônibus que utilizo enquanto escreve este post.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Os embates das correntes internas do governo Bolsonaro
No post
anterior descrevi as forças internas que compõem o governo
Bolsonaro. Agora pretendo demonstrar como algumas dessas correntes,
que tentam direcioná-lo, já se manifestaram e provocaram embates
públicos que as evidenciaram.
A
corrente liberal do governo sempre demonstrou que a redução do
Estado, as privatizações, o equilíbrio fiscal, entre outras
medidas, serão seu norte. No que tange a este último ponto, a
equipe segue o mantra da Reforma da Previdência. A corrente liberal
quer (ou repete o discurso) em que a Reforma seria para todos
setores, mas os verde-oliva e os judicialistas não querem ser
incluídos.
Os conservadores (nova direita) na pessoa do Olavo de Carvalho não aceitam o contato dos deputados do PSL (seus próprios "discípulos") com os comunistas durante a viagem a China. Eis um caso emblemático.
Na ala cristã, causou-se um mal-estar com indicação da ministra Damares Alves. Magno Malta acreditava que seria agraciado com um cargo de primeiro escalão no governo Bolsonaro.
A ala verde-oliva, depois de negar relação com o caso Queiroz, agora está demonstrando que não aceitará desarranjos no governo e quer isolar Flávio Bolsonaro. Só que esse é filho e faz parte do clã Bolsonaro. O vice-presidente que vinha afirmando que o caso Queiroz não tinha nada a ver com o governo agora afirma que não haverá interferência.
A ala judicialista ficou numa sinuca de bico, como se diz no bilhar, para se manter a força pura dos 3 poderes, tem que atuar (já que o COAF está sob sua jurisprudência), contudo como Flávio é do clã Bolsonaro o que dificulta a a atuação. Ao mesmo tempo não atuar demonstra sua parcialidade no caso.
O certo é que a imagem de Sérgio Moro, como paladino do combate a corrupção, já está arranhada devido ao seu silêncio de sete dias. Silêncio esses que só foi quebrado a milhares de quilômetros do país. Agora Sérgio Moro diz que a investigação segue em âmbito estadual, ou seja, sob a tutela do MP do Rio de Janeiro.
O certo é que a imagem de Sérgio Moro, como paladino do combate a corrupção, já está arranhada devido ao seu silêncio de sete dias. Silêncio esses que só foi quebrado a milhares de quilômetros do país. Agora Sérgio Moro diz que a investigação segue em âmbito estadual, ou seja, sob a tutela do MP do Rio de Janeiro.
O caso não ganha maior visibilidade por causa do rompimento da barragem do feijão em Brumadinho em MG. O mar de lama de lá está, momentaneamente, soterrando o mar de lama dos deputados estaduais do RJ denunciados pelo relatório do COAF.
Em 30 dias de mandato, até a presente data, nos deparamos com um jogo político com vários grupos se acotovelando no Planalto. Aos que acreditavam que um novo país estava nascendo ṕarece que o mesmo jogo político que a companha nossa república há muito tempo, anda a dar as caras em Brasília.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
As forças que compõem o governo Bolsonaro
Aparentemente
um time de futebol, um bairro, uma escola ou qualquer outro
agrupamento social pode ser visto como uma "coisa"
monolítica. É assim que se procede, no campo sociológico, quando
se estuda os alunos de uma escola, os moradores da periferia, as
torcidas uniformizadas, os adeptos de determinada religião, etc.
Sendo
assim, quero expor de forma simplificada, o que acredito ser o bloco
de forças que compõem o governo Bolsonaro. São elas: a vertente
verde-oliva;
a
vertente evangélica;
a vertente judicialista;
a
vertente liberal.
Além dessas vertentes (uso este termo propositalmente) temos o Clã
dos Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, conservadores da nova direita e o MBL.
Verde-oliva
–
ala que quer a ordem e que valoriza a instituição e para que esta
funcione direito tem que se obedecer a hierarquia. O
vice-presidente Hamilton Mourão é o expoente desta ala.
Ala
cristã –
os “evangélicos” são sua maior composição, mas também
representa os cristãos conservadores no geral, incluindo aí os
católicos, que prezam pela ordem divina. Uma nação que obedece o
Senhor prospera. Uma
expoente desta ala é a Ministra Damares Alves.
Ala judicialista – a ordem jurídica deve prevalecer e as leis devem ser obedecidas, sendo assim a casta privilegiada, que são os juízes, é a condutora da nação. Dos 3 poderes, o Judiciário, é o mais puro, o mais racional. Sério Moro é o expoente desta ala.
Ala liberal – a ordenação para uma grande nação está na premissa do livre mercado. Ele garante a prosperidade pois gera a livre inciativa e por isso o Estado não deve interferir na economia. Podemos simbolizar esta ala na figura do ministro Paulo Guedes.
Clã Bolsonaro – Em torno da figura do presidente (isso é parte do sistema presidencialista) se criou a ideia de que ele tem a capacidade de conduzir todas essas alas para o melhor do país. Porém esta característica foi extrapolada pela ideia de mito, de força superior que seria a solução para todos os males do Brasil. Ele é cristão, do exército, apoiador da Operação Lava Jato e se transformou em um combatente da corrupção, uma força limpa na camada política, um patriota dedicado a nação, anticomunista, que com uma a visão liberal conduzirá o país a um novo estágio.
Existem
forças que gravitam em torno deste núcleo duro do governo
Bolsonaro.
Onyx
Lorenzoni – político do partido Democratas, o atual Chefe da
Casa Civil abriu espaço no atual governo graças a amizade com o
presidente Jair Bolsonaro. Pode ser visto, ora como o “conselheiro”
e figura destacada no Planalto, ora como um de “fora” já que não
tem tanto poder dentro de seu partido e parece privilegiar seu
“amigo” em detrimento do legenda a que é filiado e ao mesmo
tempo veio abalar as forças próximas bolsonaristas antes
estabelecidas.
Conservadores
da nova direita – Esses tem pensamentos semelhantes aos do guru
Olavo de Carvalho: anticomunistas, conservadores, antipetistas,
contra o lulismo, etc. São expoentes deste grupo: Joice
Hasselmann, Janaína Paschoal, Alexandre Frota, o ministro das
Relações Exteriores Ernesto Araújo, Ricardo Vélez Rodrígues o
ministro da Educação e os candidatos eleitos pelo PSL como um todo.
O
MBL, capitaneado por Kim Kataguri e Arthur do Val ( o anterior
Artur mamãe falei), também se relaciona com o novo governo de forma
dupla, ora tentando influenciar, ora criticando os desvios da rota
que o Brasil deve seguir. A existência de vários grupos pode ser
vista como uma aglutinação de ideias, mas que obviamente também
tem seus interesses particulares.
Se nos governos anteriores partidos loteavam áreas do poder, hoje temos grupos loteando áreas do poder e eles vão querer influenciar os destinos do governo. Há um grande desafio posto ao presidente Jair Bolsonaro em tentar controlar e negociar entre eles a manutenção do poder, além disso o governo ainda tem o jogo político com os partidos e o parlamentares que darão sustentação ao governo e aprovarão as pautas bolsonaristas.
Que esperava um novo país verá que o sistema se mantém independente dos atores novos que venham a atuar no cenário político. Quem foi oposição sabe que estar no poder é ter mais vidros a proteger do que pedras a atirar. Quem era pedra hoje é vidraça.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
A esquerda tem que se defender...
A conjuntura não é das melhores para a esquerda brasileira. Ser de
esquerda no Brasil é ser automaticamente vinculado ao stalinismo no
caso dos socialistas; feminazes caso das feministas; sodomitas no
caso da comunidade LGBT; racistas (olhe que inversão!!!) no caso dos
afrodescendentes, defender meio ambiente é proibir o desenvolvimento
do pais, e por aí vai.
Além deste enquadramento temos o grupo que está no poder pregando o fim da esquerda. Em video o então candidato a presidente Jair Bolsonaro, logo após ganhar o primeiro turno, fala em "banir esses bandidos vermelhos". E o já eleito Eduardo Bolsonaro conclama a extinção da esquerda na América Latina.
Além deste enquadramento temos o grupo que está no poder pregando o fim da esquerda. Em video o então candidato a presidente Jair Bolsonaro, logo após ganhar o primeiro turno, fala em "banir esses bandidos vermelhos". E o já eleito Eduardo Bolsonaro conclama a extinção da esquerda na América Latina.
Antes
de entrar no mérito, queria sugerir a análise coerente e fora da
esfera ideológica que se encontra neste vídeo de
Eduardo Moreira.
Agora prossigo destacando que além da multiplicidade de focos defendidos pela esquerda, aquela entendida como um todo, há a singularidades de cada "corrente" dentro da oposição ao status quo, se assim posso me referir a ordem vigente. Ora, não há unidade coesa dentro, por exemplo, do movimento feminista. Existem correntes que concordam com a luta central, mas discordam dos caminhos a seguir. Então deveríamos falar de feminismos ou logo de cara destacar essas diferenças.
A ideia de colocar numa panela só toda esquerda é interessante (pra quem não é de esquerda, é lógico) porque atribui, seguindo nosso exemplo, a todas feministas os erros de uma "corrente" do movimento feministas.
Digo erros, porque nós de esquerda também erramos, montamos estratégias confusas, não fazemos as análises corretas, subestimamos nossos oponentes, e em muitas das vezes nos arrogamos donos da verdade... E aí vem as derrotas e o ciclo se repete, seja por não fazermos um balanço justo do ocorrido, seja por usar instrumentos ultrapassados.
Além
desta conveniência
de
tratar a esquerda
como uma coisa só,
há outra necessidade de apelar para tal estratégia: o
reducionismo.
No Brasil quase tudo é reduzido de forma que fica fácil ser
transmitido e, ao simplificarmos fenômenos complexos, há uma
tendencia de bloquear o debate sobre o que estes fenômenos realmente
significam. Desta forma chega-se a um posicionamento maniqueísta,
ou seja, do bem contra o mal, do certo contra o errado. Sendo assim
qualquer discussão de boteco pode ser validada como solução para
quase tudo.
sábado, 1 de dezembro de 2018
Projeto pisando em ovos
Em 2017, devido a situação financeira, precisei gerar um renda extra para garantir o básico em minha casa. Talvez muitos não saibam, sou professor contratado na Rede Estadual de São Paulo, e a precarização da carreira docente obriga milhares de professores a complementar sua renda com alguma atividade econômica paralela. Uma colega, da Rede Estadual, me perguntou hoje qual era a minha carga horária no magistério: leciono a quantidade de aulas que o Estado me permite...
Busquei uma atividade paralela que não atrapalhasse minhas atividades docentes e as atividades em casa. Como todos precisam comer nossa família optou por vender ovos. Ovos são uma ótima fonte de proteínas, e além de me de gerar a renda que precisava, vender ovos me propiciou algo que gosto muito: conversar com pessoas!
Hoje vendo ovos para clientes e para pessoas que são mais que clientes, pessoas com quem converso e me relaciono para além do ato de vender. Também foi assim quando eu e meu irmão montamos uma LAN house. E além disso me veio a mente a ideia de escrever um livro custeado com uma parte do lucro das vendas.
Há muito tempo acalento o sonho de escrever um livro. Na verdade tenho ideias para uns 4 livros além deste do projeto. Só que, por questões práticas, resolvi começar com um livro mais genérico e que me possibilitasse escrever coisas que venho pensando, com um início de escrita mais modesto (quero escrever de forma gradual) e impulsionar o ato de escrever com crowndfuding, ou seja, financiamento coletivo.
Por trabalhar com a venda de ovos me veio a mente a expressão "pisando em ovos", que se refere a "fazer ou falar algo com muito cuidado com muita calma". Como me são caros vários assuntos delicados que merecem ser tratados de uma forma respeitosa e explicados com calma, surgiu o Projeto Pisando em Ovos!
O projeto é simplesmente o casamento da renda extra que me vislumbrou a possibilidade de editar meu livro. Contudo, precisaria de vender milhares de cartelas de ovos para realizá-lo. Então nesta 29/11/2018 comuniquei a meus alunos do 1º termo A da EE Oscar Pereira Machado que iria lançar o projeto através de financiamento coletivo, onde os interessados pelo livro, pagando R$20,00, iria ter seus nomes em destaque no agradecimentos
Busquei uma atividade paralela que não atrapalhasse minhas atividades docentes e as atividades em casa. Como todos precisam comer nossa família optou por vender ovos. Ovos são uma ótima fonte de proteínas, e além de me de gerar a renda que precisava, vender ovos me propiciou algo que gosto muito: conversar com pessoas!
Hoje vendo ovos para clientes e para pessoas que são mais que clientes, pessoas com quem converso e me relaciono para além do ato de vender. Também foi assim quando eu e meu irmão montamos uma LAN house. E além disso me veio a mente a ideia de escrever um livro custeado com uma parte do lucro das vendas.
Há muito tempo acalento o sonho de escrever um livro. Na verdade tenho ideias para uns 4 livros além deste do projeto. Só que, por questões práticas, resolvi começar com um livro mais genérico e que me possibilitasse escrever coisas que venho pensando, com um início de escrita mais modesto (quero escrever de forma gradual) e impulsionar o ato de escrever com crowndfuding, ou seja, financiamento coletivo.
Por trabalhar com a venda de ovos me veio a mente a expressão "pisando em ovos", que se refere a "fazer ou falar algo com muito cuidado com muita calma". Como me são caros vários assuntos delicados que merecem ser tratados de uma forma respeitosa e explicados com calma, surgiu o Projeto Pisando em Ovos!
O projeto é simplesmente o casamento da renda extra que me vislumbrou a possibilidade de editar meu livro. Contudo, precisaria de vender milhares de cartelas de ovos para realizá-lo. Então nesta 29/11/2018 comuniquei a meus alunos do 1º termo A da EE Oscar Pereira Machado que iria lançar o projeto através de financiamento coletivo, onde os interessados pelo livro, pagando R$20,00, iria ter seus nomes em destaque no agradecimentos
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Aos mestres com carinho!!!
Como se mede a inteligência de alguém? Temos o famoso teste de QI (quociente de inteligência) que possivelmente será a resposta da maioria. Alguns vão questionar o teste e citar que a inteligência é bem mais do que testes lógicos, afinal ultimamente ouvimos falar tanto de inteligência emocional. Mas seria possível tocar ou segurar, a inteligência de uma pessoa? Eu creio que sim, e explico como.
Fui alfabetizado no fim dos anos de 1970 e começo de 1980 em uma escola municipal da cidade de São Paulo. A escola em questão é a EMEF Professora Iracema Marques da Silveira. Nesta escola tive o privilégio de ter como professoras D. Natalice e Vera Regina, a primeira me ensinou o que eram letras e números, a segunda expandiu meu universo de uma forma colossal.
Natalice foi minha base, foi o piso em que se ergueu todo meu conhecimento de mundo. Já no segundo ano frequentávamos a biblioteca da escola e nossas letras e números ganhavam novos cenários. Lá no terreno da escola subíamos em goiabeiras fingindo ser piratas… Letras, lógica e imaginação sendo cultivadas com ternura por nossa professora, sim minha professora era terna e sorria!!!
Vera Regina por sua vez aproveitou a base bem feita e nos trouxe muito mais. Em seu primeiro ano conosco meus textos cresceram, tomaram corpo e não conseguia mais parar de ler… Com ela fizemos teatro, formamos coral, tivemos pinceladas de artes. Durante os ensaios para peça Mogli o menino lobo, ela nos trouxe uma vitrola portátil com um compacto contando a história. Com ela soube a história de Geraldo Vandré e ouvi Pra não dizer que não falei das flores pela primeira vez.
Depois vieram outros mestres que igualmente me ajudaram nesta trajetória, a saber: professora Valquíria de Língua Portuguesa também na EMEF Iracema Marques da Silveira, professor Carlos de Filosofia e Professora Margarida de Química na EE Professor Aberto Conte. No ensino superior as contribuições das professoras Marly Viana, Maria Inês e Norma Venancio e os professores Valter Silvério. Aliás considero professoa Norma como a segunda Vera Regina.
Hoje, em um dia dos professores, onde até o clima chora pela situação da Educação no Brasil, vou responder a pergunta acima com um antigo sonho. Ao abraçar meus professores e minhas professoras literalmente estarei abraçando 50% de minha inteligência.
Fui alfabetizado no fim dos anos de 1970 e começo de 1980 em uma escola municipal da cidade de São Paulo. A escola em questão é a EMEF Professora Iracema Marques da Silveira. Nesta escola tive o privilégio de ter como professoras D. Natalice e Vera Regina, a primeira me ensinou o que eram letras e números, a segunda expandiu meu universo de uma forma colossal.
Natalice foi minha base, foi o piso em que se ergueu todo meu conhecimento de mundo. Já no segundo ano frequentávamos a biblioteca da escola e nossas letras e números ganhavam novos cenários. Lá no terreno da escola subíamos em goiabeiras fingindo ser piratas… Letras, lógica e imaginação sendo cultivadas com ternura por nossa professora, sim minha professora era terna e sorria!!!
Vera Regina por sua vez aproveitou a base bem feita e nos trouxe muito mais. Em seu primeiro ano conosco meus textos cresceram, tomaram corpo e não conseguia mais parar de ler… Com ela fizemos teatro, formamos coral, tivemos pinceladas de artes. Durante os ensaios para peça Mogli o menino lobo, ela nos trouxe uma vitrola portátil com um compacto contando a história. Com ela soube a história de Geraldo Vandré e ouvi Pra não dizer que não falei das flores pela primeira vez.
Depois vieram outros mestres que igualmente me ajudaram nesta trajetória, a saber: professora Valquíria de Língua Portuguesa também na EMEF Iracema Marques da Silveira, professor Carlos de Filosofia e Professora Margarida de Química na EE Professor Aberto Conte. No ensino superior as contribuições das professoras Marly Viana, Maria Inês e Norma Venancio e os professores Valter Silvério. Aliás considero professoa Norma como a segunda Vera Regina.
Hoje, em um dia dos professores, onde até o clima chora pela situação da Educação no Brasil, vou responder a pergunta acima com um antigo sonho. Ao abraçar meus professores e minhas professoras literalmente estarei abraçando 50% de minha inteligência.
domingo, 10 de junho de 2018
Um fato esquecido nas eleições
Durante a maioria da campanha eleitoral de 2018 seremos bombardiados com os "projetos" que os presidenciáveis nos jogarão dizendo que são importantes para o Brasil. Nos estados os "projetos" se repetirão, agora na boca dos candidatos ao governo e senado. Conscientemente ou não os candidatos a deputado federal e estadual serão negligenciados, ora por terem pouco tempo, ora por não serem alvo de sua observação.
Os cargos majoritários no Brasil ganham um peso desproporcional e talvez por isso o povo odeie o presidente, deteste o governador e ridicularize o prefeito. Nos esquecemos que quem apoia ou se opõe aos atos destes são justamente os vereadores, deputados estaduais e federais. Não tratarei de prefeitos e vereadores pela obviedade das eleições de 2018.
Acompanhe meu raciocínio...
Esquecemos destes candidatos porque somos levados, até mesmo pelas promessas e falso protagonismo das campanhas, a acreditar que quem realmente tem poder são presidentes e governadores. Sim, eles tem sua responsabilidade e seu peso no sistema de governo, mas os "representantes" legislativos tem o poder de barrar ou de levar a cabo os "projetos" dos governantes.
Sendo assim, deveríamos nos preocupar muito com quem ocupa uma cadeira nas Assembleias Legislativas Estaduais e nas duas casas do Congresso Nacional. Eles barganham seus votos, leiloam apoio em troca de favores, ou seja, o famoso fisiologismo.
Porém, sem me deter na Operação Lava Jato segundo o Congresso em Foco :
"188 condenações, nehuma no STF [ até aquelemomento ], R$ 11,5 bilhões a serem recuperados, fruto de colaborações judiciais (R$ 1,9 bilhão já foi devolvido); 39 investigações em tribunais superiores (36 no STF); 103 mandados de prisão preventiva; 118 mandados de prisão temporária; 954 mandados de busca e apreensão; 227 mandados de condução coercitiva; 72 acusações criminais contra 289 investigados; 8 acusações de improbidade administrativa contra 50 pessoas físicas, 16 empresas e um partido político; 163 acordos de delação premiada firmados com pessoas físicas; 11 acordos de leniência, que são firmados com pessoas jurídicas; 395 pedidos de cooperação internacional encaminhados a 50 países; "
Quero focar nas "intenções" e posicionamentos dos parlamentares brasileiros. Devemos, como ato de cidadania, não reeleger nenhum parlamentar que votou contra o povo brasileiro. Em outras palavras:
- votou ou se posicionou pela Reforma da Previdência? Não merece seu voto;
- votou ou se posicionou pela Reforma Trabalhista aceitando a terceirização da atividade fim? Não merece seu voto;
- votou ou se manifestou pelo congelamento por 20 anos dos investimentos públicos e não tem vergonha de aumentar suas verbas e manter os privilégios parlamentares? Não merece seu voto;
- Votou ou se manifestou a favor da desvinculação dos royalties do pré-sal à Educação? Não merece seu voto;
E não separo aqui os senadores deste raciocínio. Já que vamos renovar 1/3 do Senado por que não usar o mesmo critério? Candituras novas, de verdade, no Congresso Nacional e nas Assembléias Legislativas podem até não resolver todos os problemas, mas irão substituir um péssimo grupo de parlamentares. Somente desdenhar dos políticos não nos levará a lugar algum, a cidadania se constrói na luta. Precisamos entender que temos o poder de redesenhar o Congresso, já que somos nós que elegemos aqueles que hoje criticamos.
Os cargos majoritários no Brasil ganham um peso desproporcional e talvez por isso o povo odeie o presidente, deteste o governador e ridicularize o prefeito. Nos esquecemos que quem apoia ou se opõe aos atos destes são justamente os vereadores, deputados estaduais e federais. Não tratarei de prefeitos e vereadores pela obviedade das eleições de 2018.
Acompanhe meu raciocínio...
Esquecemos destes candidatos porque somos levados, até mesmo pelas promessas e falso protagonismo das campanhas, a acreditar que quem realmente tem poder são presidentes e governadores. Sim, eles tem sua responsabilidade e seu peso no sistema de governo, mas os "representantes" legislativos tem o poder de barrar ou de levar a cabo os "projetos" dos governantes.
Sendo assim, deveríamos nos preocupar muito com quem ocupa uma cadeira nas Assembleias Legislativas Estaduais e nas duas casas do Congresso Nacional. Eles barganham seus votos, leiloam apoio em troca de favores, ou seja, o famoso fisiologismo.
Porém, sem me deter na Operação Lava Jato segundo o Congresso em Foco :
"188 condenações, nehuma no STF [ até aquelemomento ], R$ 11,5 bilhões a serem recuperados, fruto de colaborações judiciais (R$ 1,9 bilhão já foi devolvido); 39 investigações em tribunais superiores (36 no STF); 103 mandados de prisão preventiva; 118 mandados de prisão temporária; 954 mandados de busca e apreensão; 227 mandados de condução coercitiva; 72 acusações criminais contra 289 investigados; 8 acusações de improbidade administrativa contra 50 pessoas físicas, 16 empresas e um partido político; 163 acordos de delação premiada firmados com pessoas físicas; 11 acordos de leniência, que são firmados com pessoas jurídicas; 395 pedidos de cooperação internacional encaminhados a 50 países; "
Quero focar nas "intenções" e posicionamentos dos parlamentares brasileiros. Devemos, como ato de cidadania, não reeleger nenhum parlamentar que votou contra o povo brasileiro. Em outras palavras:
- votou ou se posicionou pela Reforma da Previdência? Não merece seu voto;
- votou ou se posicionou pela Reforma Trabalhista aceitando a terceirização da atividade fim? Não merece seu voto;
- votou ou se manifestou pelo congelamento por 20 anos dos investimentos públicos e não tem vergonha de aumentar suas verbas e manter os privilégios parlamentares? Não merece seu voto;
- Votou ou se manifestou a favor da desvinculação dos royalties do pré-sal à Educação? Não merece seu voto;
E não separo aqui os senadores deste raciocínio. Já que vamos renovar 1/3 do Senado por que não usar o mesmo critério? Candituras novas, de verdade, no Congresso Nacional e nas Assembléias Legislativas podem até não resolver todos os problemas, mas irão substituir um péssimo grupo de parlamentares. Somente desdenhar dos políticos não nos levará a lugar algum, a cidadania se constrói na luta. Precisamos entender que temos o poder de redesenhar o Congresso, já que somos nós que elegemos aqueles que hoje criticamos.
sábado, 2 de junho de 2018
Desafios do espectro político de esquerda no Brasil
Hoje, diante dos ataques aos direitos dos trabalhadores, precisamos rever nossas ações, aproveitar as mídias sociais e a internet para esclarecer o máximo possível toda a população brasileira. Desenvolver novas formas de luta dos trabalhadores (para além do mundo virtual) se faz urgente, não só para dar visibilidade mas também legitimidade as demandas daqueles que realmente criam o valor e a riqueza deste país.
Os trabalhadores estão com os direitos ameaçados pelas reformas da Previdência e Trabalhista.
E esta revisão não se resume somente ao patronato, devemos olhar para o lado, não para descaracterizar a luta dos trabalhadores, mas para impulsioná-la e afastar os entraves do lado de lá e do lado de cá. O caminho deve ser de crítica e autocrítica sempre que for necessário.
Nós que temos um pensamento de esquerda sempre fizemos boas críticas, mas falhamos sempre quando buscamos responder porque nossa luta não avança, porque nossas conquistas são travadas. Quase sempre jogamos a culpa na "conjuntura", nas forças retrógadas do sistema, etc.
Também contribuímos para o fracasso da luta dos trabalhadores quando por purismo não nos unimos. Os partidos que compõem o espectro político de esquerda no Brasil sempre se afastam por suas doutrinas, por suas visões "únicas" de como a classe trabalhadora deve lutar, ou por arrogância de acreditar que são a verdadeira vanguarda do proletáriado.
Do outro lado as bancadas da bala, dos "evangélicos" e do boi vão se articulando para aprovar tudo que os beneficiam e/ou frear os avanços que a sociedade brasileira vinha conquistando ao longo desses anos. Eles se articulam e nós nos fragmentamos em picuinhas doutrinárias.
Cabe agora criar uma agenda mínima das esquerdas e nos movimentar para superar as dificuldades e reverter esta onda retrógada que dilapida os direitos conquistados pelas árduas lutas dos trabalhadores. Precisamos aproveitar que a direita vem fragmentada, com vários candidatos nessas eleições de 2018 e se possível montar uma Frente de Esquerda para conquistar o maior número de cadeiras no Senado e na Câmara federal.
Os trabalhadores estão com os direitos ameaçados pelas reformas da Previdência e Trabalhista.
E esta revisão não se resume somente ao patronato, devemos olhar para o lado, não para descaracterizar a luta dos trabalhadores, mas para impulsioná-la e afastar os entraves do lado de lá e do lado de cá. O caminho deve ser de crítica e autocrítica sempre que for necessário.
Nós que temos um pensamento de esquerda sempre fizemos boas críticas, mas falhamos sempre quando buscamos responder porque nossa luta não avança, porque nossas conquistas são travadas. Quase sempre jogamos a culpa na "conjuntura", nas forças retrógadas do sistema, etc.
Também contribuímos para o fracasso da luta dos trabalhadores quando por purismo não nos unimos. Os partidos que compõem o espectro político de esquerda no Brasil sempre se afastam por suas doutrinas, por suas visões "únicas" de como a classe trabalhadora deve lutar, ou por arrogância de acreditar que são a verdadeira vanguarda do proletáriado.
Do outro lado as bancadas da bala, dos "evangélicos" e do boi vão se articulando para aprovar tudo que os beneficiam e/ou frear os avanços que a sociedade brasileira vinha conquistando ao longo desses anos. Eles se articulam e nós nos fragmentamos em picuinhas doutrinárias.
Cabe agora criar uma agenda mínima das esquerdas e nos movimentar para superar as dificuldades e reverter esta onda retrógada que dilapida os direitos conquistados pelas árduas lutas dos trabalhadores. Precisamos aproveitar que a direita vem fragmentada, com vários candidatos nessas eleições de 2018 e se possível montar uma Frente de Esquerda para conquistar o maior número de cadeiras no Senado e na Câmara federal.
quinta-feira, 23 de março de 2017
Cardume?
Na imensidão dos oceanos os peixes se reúnem, por instinto, em cardumes para escapar dos ataques de predadores. No nosso mundo propomos a união dos trabalhadores para enfrentar os patrões e alcançar melhores condições de Vida. Inicialmente esta união pode ser por motivos menos nobres, como somente buscar aumento salarial (economicismo) ou proteger nossos empregos e proteger nossa categoria (corporativismo), mas para além destas posturas queremos uma real consciência de classe!
Propomos uma mudança de pensamento, do individualismo exacerbado que assola nossa sociedade para coletivo que aglutine, fortaleça e distribua o valor entre todos os participantes do nosso cardume social. Essa união não deve ser encarada somente como estratégia da classe trabalhadora, deve ser o início de um processo que gere uma solidariedade entre os trabalhadores.
Para que este movimento se inicie e ganhe direção publicaremos aqui tudo que acreditamos contribuir para este fim, sejam artigos informativos, análises conjunturais, formação política, pequenas dicas ou críticas ou perguntas que cogitem nosso cotidiano. Os desafios aqui não são pequenos, pois presos em nossos cotidianos somos condicionados a não construir saídas coletivas, pois somos sempre induzidos ao sucesso individual, a ostentação, a procura de status, etc. E isso não se dá por acaso: divididos somos presas fáceis para os tubarões!
Venha para o nosso cardume social: aqui a luta, a solução e os ganhos são coletivos!
Propomos uma mudança de pensamento, do individualismo exacerbado que assola nossa sociedade para coletivo que aglutine, fortaleça e distribua o valor entre todos os participantes do nosso cardume social. Essa união não deve ser encarada somente como estratégia da classe trabalhadora, deve ser o início de um processo que gere uma solidariedade entre os trabalhadores.
Para que este movimento se inicie e ganhe direção publicaremos aqui tudo que acreditamos contribuir para este fim, sejam artigos informativos, análises conjunturais, formação política, pequenas dicas ou críticas ou perguntas que cogitem nosso cotidiano. Os desafios aqui não são pequenos, pois presos em nossos cotidianos somos condicionados a não construir saídas coletivas, pois somos sempre induzidos ao sucesso individual, a ostentação, a procura de status, etc. E isso não se dá por acaso: divididos somos presas fáceis para os tubarões!
Venha para o nosso cardume social: aqui a luta, a solução e os ganhos são coletivos!
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