sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A esquerda tem que se defender...


A conjuntura não é das melhores para a esquerda brasileira. Ser de esquerda no Brasil é ser automaticamente vinculado ao stalinismo no caso dos socialistas; feminazes caso das feministas; sodomitas no caso da comunidade LGBT; racistas (olhe que inversão!!!) no caso dos afrodescendentes, defender meio ambiente é proibir o desenvolvimento do pais, e por aí vai.

Além deste enquadramento temos o grupo que está no poder pregando o fim da esquerda. Em video o então candidato a presidente Jair Bolsonaro, logo após ganhar o primeiro turno, fala em "banir esses bandidos vermelhos". E o já eleito Eduardo Bolsonaro conclama a extinção da esquerda na América Latina.

Antes de entrar no mérito, queria sugerir a análise coerente e fora da esfera ideológica que se encontra neste vídeo de Eduardo Moreira.

Agora prossigo destacando que além da multiplicidade de focos defendidos pela esquerda, aquela entendida como um todo, há a singularidades de cada "corrente" dentro da oposição ao status quo, se assim posso me referir a ordem vigente. Ora, não há unidade coesa dentro, por exemplo, do movimento feminista. Existem correntes que concordam com a luta central, mas discordam dos caminhos a seguir. Então deveríamos falar de feminismos ou logo de cara destacar essas diferenças.

A ideia de colocar numa panela só toda esquerda é interessante (pra quem não é de esquerda, é lógico) porque atribui, seguindo nosso exemplo, a todas feministas os erros de uma "corrente" do movimento feministas.

Digo erros, porque nós de esquerda também erramos, montamos estratégias confusas, não fazemos as análises corretas, subestimamos nossos oponentes, e em muitas das vezes nos arrogamos donos da verdade... E aí vem as derrotas e o ciclo se repete, seja por não fazermos um balanço justo do ocorrido, seja por usar instrumentos ultrapassados.

Além desta conveniência de tratar a esquerda como uma coisa só, há outra necessidade de apelar para tal estratégia: o reducionismo. No Brasil quase tudo é reduzido de forma que fica fácil ser transmitido e, ao simplificarmos fenômenos complexos, há uma tendencia de bloquear o debate sobre o que estes fenômenos realmente significam. Desta forma chega-se a um posicionamento maniqueísta, ou seja, do bem contra o mal, do certo contra o errado. Sendo assim qualquer discussão de boteco pode ser validada como solução para quase tudo.

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