A conjuntura não é das melhores para a esquerda brasileira. Ser de
esquerda no Brasil é ser automaticamente vinculado ao stalinismo no
caso dos socialistas; feminazes caso das feministas; sodomitas no
caso da comunidade LGBT; racistas (olhe que inversão!!!) no caso dos
afrodescendentes, defender meio ambiente é proibir o desenvolvimento
do pais, e por aí vai.
Além deste enquadramento temos o grupo que está no poder pregando o fim da esquerda. Em video o então candidato a presidente Jair Bolsonaro, logo após ganhar o primeiro turno, fala em "banir esses bandidos vermelhos". E o já eleito Eduardo Bolsonaro conclama a extinção da esquerda na América Latina.
Além deste enquadramento temos o grupo que está no poder pregando o fim da esquerda. Em video o então candidato a presidente Jair Bolsonaro, logo após ganhar o primeiro turno, fala em "banir esses bandidos vermelhos". E o já eleito Eduardo Bolsonaro conclama a extinção da esquerda na América Latina.
Antes
de entrar no mérito, queria sugerir a análise coerente e fora da
esfera ideológica que se encontra neste vídeo de
Eduardo Moreira.
Agora prossigo destacando que além da multiplicidade de focos defendidos pela esquerda, aquela entendida como um todo, há a singularidades de cada "corrente" dentro da oposição ao status quo, se assim posso me referir a ordem vigente. Ora, não há unidade coesa dentro, por exemplo, do movimento feminista. Existem correntes que concordam com a luta central, mas discordam dos caminhos a seguir. Então deveríamos falar de feminismos ou logo de cara destacar essas diferenças.
A ideia de colocar numa panela só toda esquerda é interessante (pra quem não é de esquerda, é lógico) porque atribui, seguindo nosso exemplo, a todas feministas os erros de uma "corrente" do movimento feministas.
Digo erros, porque nós de esquerda também erramos, montamos estratégias confusas, não fazemos as análises corretas, subestimamos nossos oponentes, e em muitas das vezes nos arrogamos donos da verdade... E aí vem as derrotas e o ciclo se repete, seja por não fazermos um balanço justo do ocorrido, seja por usar instrumentos ultrapassados.
Além
desta conveniência
de
tratar a esquerda
como uma coisa só,
há outra necessidade de apelar para tal estratégia: o
reducionismo.
No Brasil quase tudo é reduzido de forma que fica fácil ser
transmitido e, ao simplificarmos fenômenos complexos, há uma
tendencia de bloquear o debate sobre o que estes fenômenos realmente
significam. Desta forma chega-se a um posicionamento maniqueísta,
ou seja, do bem contra o mal, do certo contra o errado. Sendo assim
qualquer discussão de boteco pode ser validada como solução para
quase tudo.
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