Aparentemente
um time de futebol, um bairro, uma escola ou qualquer outro
agrupamento social pode ser visto como uma "coisa"
monolítica. É assim que se procede, no campo sociológico, quando
se estuda os alunos de uma escola, os moradores da periferia, as
torcidas uniformizadas, os adeptos de determinada religião, etc.
Sendo
assim, quero expor de forma simplificada, o que acredito ser o bloco
de forças que compõem o governo Bolsonaro. São elas: a vertente
verde-oliva;
a
vertente evangélica;
a vertente judicialista;
a
vertente liberal.
Além dessas vertentes (uso este termo propositalmente) temos o Clã
dos Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, conservadores da nova direita e o MBL.
Verde-oliva
–
ala que quer a ordem e que valoriza a instituição e para que esta
funcione direito tem que se obedecer a hierarquia. O
vice-presidente Hamilton Mourão é o expoente desta ala.
Ala
cristã –
os “evangélicos” são sua maior composição, mas também
representa os cristãos conservadores no geral, incluindo aí os
católicos, que prezam pela ordem divina. Uma nação que obedece o
Senhor prospera. Uma
expoente desta ala é a Ministra Damares Alves.
Ala judicialista – a ordem jurídica deve prevalecer e as leis devem ser obedecidas, sendo assim a casta privilegiada, que são os juízes, é a condutora da nação. Dos 3 poderes, o Judiciário, é o mais puro, o mais racional. Sério Moro é o expoente desta ala.
Ala liberal – a ordenação para uma grande nação está na premissa do livre mercado. Ele garante a prosperidade pois gera a livre inciativa e por isso o Estado não deve interferir na economia. Podemos simbolizar esta ala na figura do ministro Paulo Guedes.
Clã Bolsonaro – Em torno da figura do presidente (isso é parte do sistema presidencialista) se criou a ideia de que ele tem a capacidade de conduzir todas essas alas para o melhor do país. Porém esta característica foi extrapolada pela ideia de mito, de força superior que seria a solução para todos os males do Brasil. Ele é cristão, do exército, apoiador da Operação Lava Jato e se transformou em um combatente da corrupção, uma força limpa na camada política, um patriota dedicado a nação, anticomunista, que com uma a visão liberal conduzirá o país a um novo estágio.
Existem
forças que gravitam em torno deste núcleo duro do governo
Bolsonaro.
Onyx
Lorenzoni – político do partido Democratas, o atual Chefe da
Casa Civil abriu espaço no atual governo graças a amizade com o
presidente Jair Bolsonaro. Pode ser visto, ora como o “conselheiro”
e figura destacada no Planalto, ora como um de “fora” já que não
tem tanto poder dentro de seu partido e parece privilegiar seu
“amigo” em detrimento do legenda a que é filiado e ao mesmo
tempo veio abalar as forças próximas bolsonaristas antes
estabelecidas.
Conservadores
da nova direita – Esses tem pensamentos semelhantes aos do guru
Olavo de Carvalho: anticomunistas, conservadores, antipetistas,
contra o lulismo, etc. São expoentes deste grupo: Joice
Hasselmann, Janaína Paschoal, Alexandre Frota, o ministro das
Relações Exteriores Ernesto Araújo, Ricardo Vélez Rodrígues o
ministro da Educação e os candidatos eleitos pelo PSL como um todo.
O
MBL, capitaneado por Kim Kataguri e Arthur do Val ( o anterior
Artur mamãe falei), também se relaciona com o novo governo de forma
dupla, ora tentando influenciar, ora criticando os desvios da rota
que o Brasil deve seguir. A existência de vários grupos pode ser
vista como uma aglutinação de ideias, mas que obviamente também
tem seus interesses particulares.
Se nos governos anteriores partidos loteavam áreas do poder, hoje temos grupos loteando áreas do poder e eles vão querer influenciar os destinos do governo. Há um grande desafio posto ao presidente Jair Bolsonaro em tentar controlar e negociar entre eles a manutenção do poder, além disso o governo ainda tem o jogo político com os partidos e o parlamentares que darão sustentação ao governo e aprovarão as pautas bolsonaristas.
Que esperava um novo país verá que o sistema se mantém independente dos atores novos que venham a atuar no cenário político. Quem foi oposição sabe que estar no poder é ter mais vidros a proteger do que pedras a atirar. Quem era pedra hoje é vidraça.
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