Sexta-feira passada, dia 08/11/2019, Luiz Inácio Lula da Silva foi solto da carceragem de Curitiba e causou euforia em parte da população brasileira. E não escondo que também fiquei contente. Porém, como muitos, foi mais uma reação de descontentamento com a conduta da Lava Jato, que uma esperança em dias melhores.
O que precisamos entender é que Lula está livre por causa das denuncias do The Intercept Brasil que sensibilizou o STF e por causa das próprias arbitrariedades da Lava Jato que ao solaparem a constituição possibilitaram este desfecho. Não nos enganemos, nem Lula está totalmente livre, nem a Lava Jato estava totalmente certa.
O que se desenhará daqui em diante ainda não está claro. Há muitos cenários possíveis, e um até favoráveis ao Bolsonarismo, já que podem construir uma narrativa colocando o presidente sendo atacado por forças "comunistas", de "esquerda", e assim vitimizando um governo que não produziu nada de novo nesses 10 meses. Cenário este montado no bem sucedido maniqueísmo da campanha de 2018.
O PT também monta sua narrativa e se continuar no enredo que existiu um golpe orquestrado para impedir Lula (e o PT) de ganharem as eleições, onde Moro e Bolsonaro agiam juntos, apostando assim na manutenção do clima maniqueísta já citado, continuaremos polarizados e talvez, como a História sempre nos mostra, um outro caminho se construa e atropele as pretensões de bolsonaristas e de petistas.
A narrativa de criminalização do PT é frágil, mas ela trabalha com uma lógica forte: nós de esquerda somos suscetíveis a gatilhos que acionam nosso modo radical, e portanto passível de "controle" por parte de quem discursa. Quando apelam para o poder popular, o anticapitalismo, antiamericanismo, exploração de classe, nos inflamamos e aí respondemos de uma forma não racional. Mencionar nossas utopias também tem esse efeito.
Por causa desta sensibilidade discursiva é importante aprendermos a ouvir e tentar entender o que diz as entrelinhas dos discursos, das narrativas, das campanhas, dos slogans, etc. Para não sermos enredados e manipulados para o ataque e para a defesa de um projeto ou de outra possibilidade política.
Por causa desta sensibilidade discursiva é importante aprendermos a ouvir e tentar entender o que diz as entrelinhas dos discursos, das narrativas, das campanhas, dos slogans, etc. Para não sermos enredados e manipulados para o ataque e para a defesa de um projeto ou de outra possibilidade política.
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