Antes de derreter sob um sol escaldante de 39°, mas com sensação térmica de 45°, me vi pensando na dificuldade dos brasileiros, sejam eles: trabalhadores assalariados, aqueles que estão fazendo bico ou os desempregados (na mesma condição que a minha), na busca de se manter no mercado de trabalho.
Como já comentei sou professor Categoria O, ou seja, professor contratado temporariamente pela secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Meu contrato foi aberto em 2015, com validade de 2 anos e prorrogado por mais um ano. Sendo assim, este ano o contrato teve término.
Não bastasse isto, meu contrato utiliza o número de minha Carteira de Trabalho, porém não sou celetista. Recolho normalmente o INSS, mas não tenho os direitos trabalhistas como FGTS, etc.
José Serra, o brilhante governador que instituiu o Categoria O em 2009, já se encontra devidamente aposentado pelo regime parlamentar, enquanto muitos professores se encontram na precariedade que "todos" os brasileiros irão experimentar com a flexibilização (nome pomposo) das leis trabalhistas.
Pelo visto minha cabeça não ferve somente pela temperatura externa do ônibus que utilizo enquanto escreve este post.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Os embates das correntes internas do governo Bolsonaro
No post
anterior descrevi as forças internas que compõem o governo
Bolsonaro. Agora pretendo demonstrar como algumas dessas correntes,
que tentam direcioná-lo, já se manifestaram e provocaram embates
públicos que as evidenciaram.
A
corrente liberal do governo sempre demonstrou que a redução do
Estado, as privatizações, o equilíbrio fiscal, entre outras
medidas, serão seu norte. No que tange a este último ponto, a
equipe segue o mantra da Reforma da Previdência. A corrente liberal
quer (ou repete o discurso) em que a Reforma seria para todos
setores, mas os verde-oliva e os judicialistas não querem ser
incluídos.
Os conservadores (nova direita) na pessoa do Olavo de Carvalho não aceitam o contato dos deputados do PSL (seus próprios "discípulos") com os comunistas durante a viagem a China. Eis um caso emblemático.
Na ala cristã, causou-se um mal-estar com indicação da ministra Damares Alves. Magno Malta acreditava que seria agraciado com um cargo de primeiro escalão no governo Bolsonaro.
A ala verde-oliva, depois de negar relação com o caso Queiroz, agora está demonstrando que não aceitará desarranjos no governo e quer isolar Flávio Bolsonaro. Só que esse é filho e faz parte do clã Bolsonaro. O vice-presidente que vinha afirmando que o caso Queiroz não tinha nada a ver com o governo agora afirma que não haverá interferência.
A ala judicialista ficou numa sinuca de bico, como se diz no bilhar, para se manter a força pura dos 3 poderes, tem que atuar (já que o COAF está sob sua jurisprudência), contudo como Flávio é do clã Bolsonaro o que dificulta a a atuação. Ao mesmo tempo não atuar demonstra sua parcialidade no caso.
O certo é que a imagem de Sérgio Moro, como paladino do combate a corrupção, já está arranhada devido ao seu silêncio de sete dias. Silêncio esses que só foi quebrado a milhares de quilômetros do país. Agora Sérgio Moro diz que a investigação segue em âmbito estadual, ou seja, sob a tutela do MP do Rio de Janeiro.
O certo é que a imagem de Sérgio Moro, como paladino do combate a corrupção, já está arranhada devido ao seu silêncio de sete dias. Silêncio esses que só foi quebrado a milhares de quilômetros do país. Agora Sérgio Moro diz que a investigação segue em âmbito estadual, ou seja, sob a tutela do MP do Rio de Janeiro.
O caso não ganha maior visibilidade por causa do rompimento da barragem do feijão em Brumadinho em MG. O mar de lama de lá está, momentaneamente, soterrando o mar de lama dos deputados estaduais do RJ denunciados pelo relatório do COAF.
Em 30 dias de mandato, até a presente data, nos deparamos com um jogo político com vários grupos se acotovelando no Planalto. Aos que acreditavam que um novo país estava nascendo ṕarece que o mesmo jogo político que a companha nossa república há muito tempo, anda a dar as caras em Brasília.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
As forças que compõem o governo Bolsonaro
Aparentemente
um time de futebol, um bairro, uma escola ou qualquer outro
agrupamento social pode ser visto como uma "coisa"
monolítica. É assim que se procede, no campo sociológico, quando
se estuda os alunos de uma escola, os moradores da periferia, as
torcidas uniformizadas, os adeptos de determinada religião, etc.
Sendo
assim, quero expor de forma simplificada, o que acredito ser o bloco
de forças que compõem o governo Bolsonaro. São elas: a vertente
verde-oliva;
a
vertente evangélica;
a vertente judicialista;
a
vertente liberal.
Além dessas vertentes (uso este termo propositalmente) temos o Clã
dos Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, conservadores da nova direita e o MBL.
Verde-oliva
–
ala que quer a ordem e que valoriza a instituição e para que esta
funcione direito tem que se obedecer a hierarquia. O
vice-presidente Hamilton Mourão é o expoente desta ala.
Ala
cristã –
os “evangélicos” são sua maior composição, mas também
representa os cristãos conservadores no geral, incluindo aí os
católicos, que prezam pela ordem divina. Uma nação que obedece o
Senhor prospera. Uma
expoente desta ala é a Ministra Damares Alves.
Ala judicialista – a ordem jurídica deve prevalecer e as leis devem ser obedecidas, sendo assim a casta privilegiada, que são os juízes, é a condutora da nação. Dos 3 poderes, o Judiciário, é o mais puro, o mais racional. Sério Moro é o expoente desta ala.
Ala liberal – a ordenação para uma grande nação está na premissa do livre mercado. Ele garante a prosperidade pois gera a livre inciativa e por isso o Estado não deve interferir na economia. Podemos simbolizar esta ala na figura do ministro Paulo Guedes.
Clã Bolsonaro – Em torno da figura do presidente (isso é parte do sistema presidencialista) se criou a ideia de que ele tem a capacidade de conduzir todas essas alas para o melhor do país. Porém esta característica foi extrapolada pela ideia de mito, de força superior que seria a solução para todos os males do Brasil. Ele é cristão, do exército, apoiador da Operação Lava Jato e se transformou em um combatente da corrupção, uma força limpa na camada política, um patriota dedicado a nação, anticomunista, que com uma a visão liberal conduzirá o país a um novo estágio.
Existem
forças que gravitam em torno deste núcleo duro do governo
Bolsonaro.
Onyx
Lorenzoni – político do partido Democratas, o atual Chefe da
Casa Civil abriu espaço no atual governo graças a amizade com o
presidente Jair Bolsonaro. Pode ser visto, ora como o “conselheiro”
e figura destacada no Planalto, ora como um de “fora” já que não
tem tanto poder dentro de seu partido e parece privilegiar seu
“amigo” em detrimento do legenda a que é filiado e ao mesmo
tempo veio abalar as forças próximas bolsonaristas antes
estabelecidas.
Conservadores
da nova direita – Esses tem pensamentos semelhantes aos do guru
Olavo de Carvalho: anticomunistas, conservadores, antipetistas,
contra o lulismo, etc. São expoentes deste grupo: Joice
Hasselmann, Janaína Paschoal, Alexandre Frota, o ministro das
Relações Exteriores Ernesto Araújo, Ricardo Vélez Rodrígues o
ministro da Educação e os candidatos eleitos pelo PSL como um todo.
O
MBL, capitaneado por Kim Kataguri e Arthur do Val ( o anterior
Artur mamãe falei), também se relaciona com o novo governo de forma
dupla, ora tentando influenciar, ora criticando os desvios da rota
que o Brasil deve seguir. A existência de vários grupos pode ser
vista como uma aglutinação de ideias, mas que obviamente também
tem seus interesses particulares.
Se nos governos anteriores partidos loteavam áreas do poder, hoje temos grupos loteando áreas do poder e eles vão querer influenciar os destinos do governo. Há um grande desafio posto ao presidente Jair Bolsonaro em tentar controlar e negociar entre eles a manutenção do poder, além disso o governo ainda tem o jogo político com os partidos e o parlamentares que darão sustentação ao governo e aprovarão as pautas bolsonaristas.
Que esperava um novo país verá que o sistema se mantém independente dos atores novos que venham a atuar no cenário político. Quem foi oposição sabe que estar no poder é ter mais vidros a proteger do que pedras a atirar. Quem era pedra hoje é vidraça.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
A esquerda tem que se defender...
A conjuntura não é das melhores para a esquerda brasileira. Ser de
esquerda no Brasil é ser automaticamente vinculado ao stalinismo no
caso dos socialistas; feminazes caso das feministas; sodomitas no
caso da comunidade LGBT; racistas (olhe que inversão!!!) no caso dos
afrodescendentes, defender meio ambiente é proibir o desenvolvimento
do pais, e por aí vai.
Além deste enquadramento temos o grupo que está no poder pregando o fim da esquerda. Em video o então candidato a presidente Jair Bolsonaro, logo após ganhar o primeiro turno, fala em "banir esses bandidos vermelhos". E o já eleito Eduardo Bolsonaro conclama a extinção da esquerda na América Latina.
Além deste enquadramento temos o grupo que está no poder pregando o fim da esquerda. Em video o então candidato a presidente Jair Bolsonaro, logo após ganhar o primeiro turno, fala em "banir esses bandidos vermelhos". E o já eleito Eduardo Bolsonaro conclama a extinção da esquerda na América Latina.
Antes
de entrar no mérito, queria sugerir a análise coerente e fora da
esfera ideológica que se encontra neste vídeo de
Eduardo Moreira.
Agora prossigo destacando que além da multiplicidade de focos defendidos pela esquerda, aquela entendida como um todo, há a singularidades de cada "corrente" dentro da oposição ao status quo, se assim posso me referir a ordem vigente. Ora, não há unidade coesa dentro, por exemplo, do movimento feminista. Existem correntes que concordam com a luta central, mas discordam dos caminhos a seguir. Então deveríamos falar de feminismos ou logo de cara destacar essas diferenças.
A ideia de colocar numa panela só toda esquerda é interessante (pra quem não é de esquerda, é lógico) porque atribui, seguindo nosso exemplo, a todas feministas os erros de uma "corrente" do movimento feministas.
Digo erros, porque nós de esquerda também erramos, montamos estratégias confusas, não fazemos as análises corretas, subestimamos nossos oponentes, e em muitas das vezes nos arrogamos donos da verdade... E aí vem as derrotas e o ciclo se repete, seja por não fazermos um balanço justo do ocorrido, seja por usar instrumentos ultrapassados.
Além
desta conveniência
de
tratar a esquerda
como uma coisa só,
há outra necessidade de apelar para tal estratégia: o
reducionismo.
No Brasil quase tudo é reduzido de forma que fica fácil ser
transmitido e, ao simplificarmos fenômenos complexos, há uma
tendencia de bloquear o debate sobre o que estes fenômenos realmente
significam. Desta forma chega-se a um posicionamento maniqueísta,
ou seja, do bem contra o mal, do certo contra o errado. Sendo assim
qualquer discussão de boteco pode ser validada como solução para
quase tudo.
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Como dói o silêncio
Como dói o silêncio Como dói o falar Dói porque mata o sentimento Dói porque mata o pensar Dói porque a dor não se ausenta Ela persiste em f...