Estamos entrando na quarta semana de isolamento social causado pela pandemia de Covid-19, a quarentena começou dia 24-03-2020 aqui em São Paulo, e desde seu início temos polêmicas e debates sobre como proceder durante um período inédito na nossa história. Sem dúvida nenhuma estamos criando no inconsciente coletivo uma experiência sui generis para os brasileiros.
Cada semana que acrescentamos ao isolamento, deve ter um impacto psicológico, espiritual, histórico, social, ou seja, se abaterá sobre a população mundial e especificamente a brasileira. Dependendo do grau em que avança, a forma como se deu em cada cidade e na vida individual de cada um, o contágio e as consequentes mortes, imprimirão em nossas mentes um fato tão grandioso que gerações o lembrarão.
Mas, como é de se esperar, a interpretação sobre a pandemia ganhará diversas narrativas, que por sinal já estão aí a nos rondar. É por isso que um relato deve ser registrado tentando em primeiro lugar aliviar a carga individual daquele que vos escreve, depois para ter material de futuro debate e por fim como fonte de registro de questões que vão se levantando a cada dia.
É claro que este relato tem um ponto de vista, não é neutro, não busca se oferecer como a verdade, contudo minha observações aqui tem como base as indagações sociológicas, proveniente da minha formação, e orientará a maioria dos questionamentos e preocupações. É neste horizonte que enxergo a pandemia como um paradigma exemplar para se exercitar o olhar sociológico, para ver como socialmente cada individuo é formado e levado a acreditar nos modelos que socialmente são aceitos com naturalidade, como se fossem os únicos possíveis.
Isto posto, as próximas postagens trarão os relatos e os questionamentos que deles emergirão tentando compreender seus significados e seus possíveis desdobramentos. Cabe ainda ressaltar que se assim quisermos coletivamente, nossa realidade não será mais a mesma e poderemos ter um outro país pós-pandemia.